Carcavelos 5
Damaiense 1
Antes de mais devo fazer um reparo ao resumo do jogo anterior que tinha um erro, sim, mas no final. Como se vê, não foi contra o SL Olivais que jogámos hoje, mas sim contra o Damaiense. Vi mal o calendário nesse dia e peço desculpa por isso.
Passando então para o jogo de hoje, a recepção ao Damaiense, conseguimos uma vitória expressiva que foi mais difícil de conseguir do que o resultado possa fazer crer.
Não sei o que é que se passou na primeira parte, mas o facto é que entrámos mesmo muito mal no jogo. Tão mal, que ao terceiro minuto (!) já estávamos a sofrer um segundo canto contra nós que deu mesmo em golo. 0-1 feito por um jogador que aparece bem de trás a cabecear, sozinho. Estávamos completamente indolentes, meio a dormir e se um golo sofrido não resultou como abanão então não sei o que resultaria... Mais uma vez, o meio-campo estava muito vazio, o Damaiense foi para cima de nós e não havia maneira de contrariar isso. Evitámos de qualquer das formas sofrer mais golos, sendo que a única coisa menos boa da defesa nesta altura era a falta de atenção às costas que, aqui e a ali, ia existindo. Ficou claro que estávamos dependentes de um rasgo individual e o nosso primeiro sinal de vida veio do Chiquinho (Chiquinho que esteve agradavelmente solidário e acertado a defender!) que, ainda assim, não foi suficiente para que existisse remate por parte de um colega. Apareceu entretanto uma boa jogada que começa no Miranda, continuou no Chiquinho que virou para o Sardinha, mas o Didi não conseguiu marcar. Pareceu-me que esta foi a primeira oportunidade que tivemos para perceber que o guarda-redes deles não era nada seguro. Quanto ao resto da equipa da Damaia, pareceu-me que eles eram mais poder físico (não necessariamente pulmão...) do que outra coisa e que faziam valer-se muito das bolas paradas, como aliás tinham deixado claro desde o golo e num livre que apareceu por esta altura que o João toca ao de leve, mas o suficiente para fazer uma boa defesa. Antes disto e de reestabelecermos o empate, testemunhámos outros lances que poderiam ter tido melhor desfecho: um remate/cruzamento do Rodolfo que passou perto; um livre bem apontado pelo mesmo em que o João Paulo fez o que não costuma fazer e cabeceou mal a bola; e finalmente, o Didi cruzou para trás no Sardinha que não acerta bem na bola. O golo do empate surgiu então de grande penalidade, marcada por mão dentro da grande área depois de uma péssima saída do guarda-redes contrário. Ao marcar o penalty, o Miranda ainda escorregou o que fez com que aquela bola demorasse uma eternidade a entrar, mas o que é que certo é que fez efectivamente o 1-1. Acho que já deu para perceber que tivemos mais algumas hipóteses do que o Damaiense, mas também nos faltou mais presença na área para conseguirmos chegar ao golo. Honestamente, não sei até que ponto ter colocado o Sardinha naquela posição não foi queimar o próprio jogador que tem condições para dar outro tipo de contributo, visto ainda que estava complicado receber bolas em condições. Enfim, de uma maneira geral, penso que o empate se aceitava.
À primeira vista, começar o segundo tempo com um lance em que o Damaiense não marca por pouco, nem sei como foi porque estava tapada por um jogador, mas creio que foi o João a sair bem e, ainda para mais, vermos um dos nossos jogadores a ser expulso, seria um revés muito grande nas nossas intenções. À primeira vista seria assim... mas, então, que raio explica que a partir daqui começássemos a jogar... melhor? Parece que ficámos mais desinibidos, sem pressões, e jogámos num nível mesmo muito superior do que até então estávamos a fazer. Também é verdade que foi percebido a tempo que entre a defesa e o ataque estavam ali zonas livres a mais e isso deu para reequilibrar a equipa. A reviravolta continuou então mais vincadamente nos pés do Marcelo que, sem prejuízo dos colegas que substitui, saiu do banco para mostrar como se faz. É complicado evitar dizer isto quando as circunstâncias deste golo são muito raras de acontecer - a substituição ocorreu numa altura em que iria existir lançamento de linha lateral para o Carcavelos, o Marcelo entrou, posicionou-se, recebeu a bola das mãos do Hernâni e fez golo! Excelente golo, remate cruzado de longe e muito bem colocado, deu-nos o 2-1. Pelo menos falo por mim, foi mesmo um pouco inesperado. Depois, houve um lance que nos deixou um pouco a tremer e em que o Damaiense podia ter marcado mais do que uma vez: primeiro o João faz uma boa defesa, depois a bola acaba na barra. Como o Damaiense nada tinha a perder, e a partir deste lance ,a impressão que deu foi que o 2-1 era para se defender com unhas e dentes. Eis senão que, esta equipa tem destas coisas!, começamos a construir uma goleada! O golo do 3-1 que nos tranquilizou veio dos pés do Miranda que recebe a bola da cabeça do Oliveira. Foi um lance um pouco atabalhoado, mais uma má saída do guarda-redes, o Miranda teve o mérito de acreditar que conseguia e insistir nisso até que estava feito o terceiro golo da equipa. Ouvi falar ao pé de mim em auto-golo, essa não foi a sensação com que fiquei, corrijam-me se estiver errada. O segundo bis da tarde pertenceu ao Oliveira. É verdade que os pontas-de-lança vivem de golos, mas não só. A prova era o trabalho que ele tinha vindo a fazer nos últimos jogos mesmo só com um golo marcado até aqui. Claro que é sempre preferível termos dias como os de hoje para contar. O primeiro deles veio de um passe do Miranda (ele e o Didi foram especialmente importantes a recuperar bolas), o Oliveira corre com a bola ainda alguns metros e consegue a finalização. O último golo do jogo foi do mesmo Oliveira, a assistência desta vez pertenceu ao Didi, o Oliveira deixou o defesa para trás e depois foi só fazer o resto. O Damaiense entretanto já tinha entrado em colapso físico, renderam-se ao resultado porque pouco mais havia a fazer. Se calhar a partir do momento em que o resultado começou a ficar tão volumoso poderíamos ter aproveitado para lançar jogadores que mereciam começar a ganhar ritmo e não será todas as semanas que vamos conseguir encontrar-nos a ganhar por uma diferença de três ou quatro. De qualquer das maneiras, até o árbitro ditar o final do jogo foi segurar a bola connosco, como se percebe, sendo que ainda se sucederam alguns remates, boas combinações, em que pareceu faltar apenas um bocadinho para fazermos mais um golo.
Enfim, uma exibição muito agradável na segunda parte, valeu três pontos perfeitamente justos. Fica no entanto alguma preocupação pela irregularidade demonstrada dentro do próprio jogo, ficou a ideia de que mais meio-campo equivale a melhores resultados. Não deixa de ser admirável que a equipa tenha sido capaz de surpreender no meio de tudo isto e estão todos de parabéns por terem revertido este jogo para um balanço muito positivo.
Assim, cumprimos aquilo que se quer e, de alguma forma, se exige: três jogos seguidos em casa são sete pontos para nós. Não é perfeito mas é bastante razoável e, acima de tudo, deixa boas perspectivas para o futuro.
O campeonato vai parar mais uma vez por causa da Taça de Lisboa e, no dia 06 de Dezembro voltamos para jogar contra o SL Olivais fora. E é mesmo contra o SL Olivais.
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